Semana de Transição

Fev 25

Semana de Transição

A cada três meses a grande maioria das pessoas aqui na Universidade das Nações vai embora. Uns voltam pra casa, outros vão fazer missões em outros lugares do mundo, uns poucos ficam dando continuidade a projetos locais. Daí vem a semana de transição. Tudo vazio, parado… E quem fica tem que se organizar para a chegada dos novos alunos e o inicio do novo trimestre. Quem mora nos alojamentos da universidade fica na expectativa de poder ficar no mesmo quarto, mas muitas vezes não é possível por causa do remanejamento para as próximas turmas que a cada trimestre vem com números diferentes de mulheres, homens, casais e crianças.

 

A semana de transição é uma semana interessante. Eu mesma gosto de ter alguns dias de quietude depois de três meses de agitação. Mas é meio esquisito também por conta do que vem antes e do que vem depois. Na semana anterior as despedidas de cortar o coração. Na semana seguinte aquele sentimento estranho de “quem são essas pessoas…?” ao ver novos rostos entrando no quarto, novas culturas se misturando de formas que a gente nunca sabe direito no que vai dar. No geral dá certo. Mas vem uma certa insegurança… O novo é sempre um mistério e a gente fica meio sem saber o que está sentindo.

 

No dia 31 de outubro de 2012 eu vim para a Universidade das Nações pela primeira vez. Passei 3 semanas e meia aqui como voluntária. Voltei daí pouco menos que 5 semanas. Mais 3 meses aqui e fui pro Nepal. Voltei para o encerramento do curso. Depois passei 3 meses no Brasil e voltei outra vez. Mais 8 meses aqui, depois 3 na Nova Zelândia, 2 semanas e meia no Alaska, mais quase 3 meses aqui, 1 no Brasil e ca estou aqui outra vez. Já faz 3 meses.

 

Nestes pouco mais de 2 anos que tenho indo e vindo reencontrei alguns conhecidos, fiz novos amigos e me despedi de muita gente. Mas sempre voltei. Só que desta vez, daqui pouco mais de um mês, quem vai embora sou eu, e de vez. E começou a bater aquela sensação estranha, quase melancólica, a tal da transição. E pra tornar este momento ainda mais intenso juntaram-se a saída da Universidade fatores ainda mais significativos.

 

Minha avó esta no hospital e parece que chegou o momento de uma geração de mulheres da minha família voltar pra casa. Minha cunhada esta gravida pela segunda vez e minha mãe vai aos poucos (ou não tão aos poucos…) assumindo a posição de matriarca (acho que ela não vai gostar muito de ser chamada de matriarca…rs). E eu… E eu subo um posto. E acho isso tudo meio…estranho… Não é um estranho ruim. Mas é estranho!

 

Daqui 3 meses me caso. Precisa explicar? Acho que não, né? Mas devido à importância deste evento, devo dizer alguma coisa. As solteiras vão me cobrar depois se eu não disser…rs Então aqui vai!  É… Eu olho pro Eric e penso “vou chamar ele de marido e ele vai ser o pai dos meus filhos um dia…WOW! Oi???”. Penso que vou ser uma mulher casada daqui 3 meses. De novo. E bota NOVO nisso!!! Porque parece que nunca fui… O Senhor verdadeiramente fez nova todas as coisas pra mim e eu estou aqui meio que tentando me acostumar, ou melhor, me adaptar, a este novo de Deus. É muito bom! Mas a palavra que eu queria usar mesmo é INTERESSANTE. Porque tem me feito pensar em tantas coisas…

 

Então agora junta tudo aí! Uma geração partindo, casamento, mudança de país, mudança de cultura, mudança de atividades (porque na base da JOCUM pra onde estou indo estarei envolvida com coisas diferentes), outras pessoas ao meu redor, praticamente TUDO diferente! Só quem já morou no exterior sabe o que significa a mudança de cultura e só quem morou em quarto de alojamento (com mais 5, 6, 9…) sabe o que significa ter um quarto só pra você. Só quem é missionário sabe o gosto desse sanduíche de coisas novas que nos é servido constantemente. Mas a gente tenta explicar e as pessoas tentam entender e isso já é alguma coisa que vale a pena!

 

Talvez eu ainda esteja aqui na próxima semana de transição. Talvez só vá pra Nova Zelândia uns 2 ou 3 dias depois da chegada dos novos alunos. Acho que vou estar saindo no auge da euforia do inicio do novo trimestre. Vou me despedir dos que partem na última semana de aula, vou pela última vez experimentar o silêncio da semana de transição, ajudar a preparar a chegada dos novos alunos, talvez até conhecer as novas turmas pra em seguida dizer adeus. Talvez eu seja a única partindo naquela semana. Mais uma vez nadando contra a correnteza. Como de costume, indo numa direção que quase ninguém está indo, num momento em que a maioria está com a atenção voltada pra outras coisas…

 

A gente sempre acha que sabe pelo menos metade do que nos espera do lado de lá. Porque quando fazemos a opção de mudar, é porque escolhemos alguma outra coisa que identificamos ser melhor ou apropriada para certo momento de nossas vidas. Mas a verdade é que sabemos muito pouco. A escolha pelo novo é uma escolha pelo desconhecido. Não é atoa que o novo se chama novo. Se fosse algo conhecido não seria novo, seria velho. (Mais ou menos como o iPhone 6 que é a cara de algum dos modelos antigos da Galaxy que eu nem lembro mais e que quando eu vi me deu aquela sensação de “hein?” Enfim…rs).

 

As pessoas me perguntam como vai ser na Nova Zelândia e eu digo o que sei. Mas a verdade é que eu não sei quase nada. No momento, só sei o que deixarei pra trás. E por mais que eu  já tenha me mudado de cidade e país algumas vezes, me surpreendo com essa sensação que sempre me bate em momentos de transição. É sempre meio… Estranho…

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