Coisas Que Me Disseram…

Jul 11

Coisas Que Me Disseram…

Quando eu era adolescente ouvi gente me dizer que eu era jovem demais pra liderar, foi naquela mesma época que comecei uma banda com outras adolescentes como eu e um grupo de teatro na escola. Eu me sentia muito limitada por não ter idade pra dirigir e não ter meu próprio dinheiro pra pagar pelas horas de estúdio pra ensaiar com a banda. Mas deixa eu te falar o que tornou a banda possível. Em primeiro lugar eu e os demais membros da banda persistimos. Em segundo lugar, tivemos apoio. Meu pai me apoiou me levando aos ensaios e eventos e me ajudando a pagar pelas horas de estúdio pra ensaiar. Deu certo por causa dos pais, das tias e dos avós de cada um que ajudou com transporte e dinheiro (dentre outras coisas). E foi assim que um grupo de adolescentes que, sozinhos não podiam muito, fizeram muito. E vencemos 2 dos 3 festivais dos quais participamos. Com o grupo de teatro não foi muito diferente. Batalhamos pra ter um professor de teatro e para o grupo ter seu espaço e a coisa toda se tornar oficial. E aconteceu! Como? A gente não aceitou “não” como resposta e incomodamos muita gente até que o “não” virou “sim”. Isso tudo foi antes de eu completar 18 anos e antes de terminar o ensino médio. Eu era “só” uma adolescente. Pelo menos era o que alguns me diziam…

Quando eu finalmente era “de maior”, já tinha minha carteira de motorista e tal, ouvi muita gente me dizer que eu era nova demais pra isso ou aquilo. Por falta de experiência de vida, ou porque não tinha recursos financeiros para os projetos em que estava trabalhando. Naquela época me juntei a liderança de jovens da igreja que eu frequentava e juntos levantamos recursos pra promover eventos muito bons que mesmo quem não tinha dinheiro pra ir foi. O segredo do sucesso? Fizemos JUNTOS. Sonhamos alto e não teve essa de “não tem como” ou “não tem dinheiro” ou se contentar com pouco.

Depois veio a época em que eu trabalhava de dia e fazia faculdade à noite. Passei por toda espécie de dificuldades pra terminar minha faculdade. Levei 8 anos pra terminar e mais 2 pra por as mãos no meu diploma (que depois de quase um ano e meio de lutas, veio com meu nome errado…). Mas terminei. E foi na época em que fui buscar o diploma com o nome corrigido que eu larguei tudo pra virar missionária. De fato nunca precisei do diploma, mas usei muito do que aprendi e tenho orgulho de ter terminado os estudos. Mas durante o processo quase ninguém acreditou que eu conseguiria. Cada um achava que eu nunca ia terminar a faculdade por razões diferentes. Disseram que eu não tinha persistência, que eu não sabia o que eu queria, me aconselharam a fazer o que todo mundo faz e viver a vidinha que muitos vivem. Mas eu não queria o que a maioria tinha e não estava disposta a me submeter a coisas que entendia que eram erradas pra chegar onde eu queria. De fato eu não sabia muito bem o que eu queria e paguei o preço de buscar a resposta pra essa pergunta. E quer saber? Valeu a pena! Todo o processo valeu a pena. Mas hoje, olhando pra trás fico pensando… As pessoas que me diziam que eu não sabia o que eu queria da vida nunca me ajudaram a descobrir o que eu queria. E hoje eu acho que elas não me ajudaram porque nem elas sabem como encontrar essa resposta. Se eu sei como? Sim. É dando a cara a tapa. E correndo riscos de dar tudo errado. Tentando de novo e de novo quando da errado. (E volta e meia vai dar mesmo. Faz parte.) Não desistindo. E não seguindo o exemplo de quem não chegou a lugar algum ou de quem chegou a lugares onde você não quer chegar. Eu admiro pessoas que encorajam outros a fazererem coisas diferentes do que elas mesmas fizeram. Acredito que isso demonstra que elas entenderam que a vida é uma jornada louca, e que quem não tenta não consegue, e que a jornada de cada um é diferente. Pra mim isso é sabedoria, maturidade e humildade.

Daí eu virei missionaria. Me disseram que eu precisava de uma igreja pra me apoiar. Eu concordei. Me disseram que eu precisava de dinheiro. Eu concordei. Me disseram que sozinha (sendo mulher e sem um marido) seria muito difícil. Eu meeeeio que concordei mas só porque na época eu queria morar no Nepal e lá realmente as coisas são diferentes pra quem é mulher. Mas quem me disse essas coisas não me ofereceu apoio nenhum para o que eu estava me propondo a fazer, nem me deu dinheiro, nem me deu ideias de como contornar as dificuldades sendo solteira. Me propuseram coisas que não tinham nada a ver com o que Deus estava me chamando pra fazer. Coisas que faziam todo o sentido do mundo. Tinha lógica sim. Mas que me tiraria da rota, me levaria a lugares que não só eu não queria ir mas que eu também não tinha sido chamada por Deus pra ir. Então tive que recusar. Na época eu tinha 31 anos, então a conversa do “você é muito nova” já não colava mais, mas parece que tem sempre algum tipo de conversa pra te dizer que você não vai conseguir ou que vai ser muito difícil. Pra ser sincera ainda não descobri nada nesta vida que seja de fato fácil. Pelo menos nada que eu desejasse ou que valha muito a pena…

Talvez seja este o problema, eu só quero coisas que exigem muito, que custam mais do que muito dinheiro, coisas que aparentemente estão além do meu alcance. Coisas que envolvem ser livre, ser feliz e fazer diferença neste mundo. Não espero ser compreendida. Não pela maioria. Porque a maioria segue noutra direção e faz as coisas muito diferente do jeito que eu escolhi pra mim. Mas confesso que acho meio irritante essa coisa de desencorajar os outros durante a jornada, sabe? Isso volta e meia me tira um pouco do sério… Mentira. Não é volta e meia, é toda vez. E não é um pouco… Me irrita mesmo. Muitas vezes me irrita pro-fun-da-men-te. Porque é um papo meio burro que não leva a lugar nenhum e que não faz muito sentido… Primeiro eu não podia isso ou aquilo porque era menor de idade. Depois foi porque eu não tinha dinheiro. Depois foi porque eu não tinha muito tempo livre. Depois foi porque eu não era casada. De vez em quando por ser mulher. Agora é porque tenho filho pequeno. E daqui um tempo vai ser porque sou velha demais. Eu podia fazer um discurso longo sobre cada uma dessas bobagens pra provar que elas são balela. Mas ao invés disso vou só dar mais alguns exemplos e terminar.

Com o apoio de poucas pessoas eu abracei o chamado missionário e levei pessoas a Cristo e até hoje apoio muita gente em momentos difíceis onde quer que eu vá. Menos de 3 anos depois de uma cirurgia na coluna lá estava eu subindo as montanhas do Nepal com uma mochila pesada nas costas. Quase 3 anos depois disso voltei ao Nepal e fiz tudo de novo. Grávida! Com filho pequeno ainda ajudo muita gente e de vez em quando escrevo cartas pra gente que esta na prisão por ser crente em lugares remotos do mundo. Também apoio um ministério local. E escrevo, como agora. Me disseram que com filho pequeno eu não ia conseguir fazer muita coisa porque não ia ter tempo. De fato, não tenho mais tempo pra um monte de coisas. Não tenho tempo pra Facebook, não tenho tempo pra televisão e nem pra conversa fiada. Não tenho tempo pra fazer muitas das coisas que outras pessoas (que tem mais tempo que eu) poderiam estar fazendo. Não tenho tempo pra projetos que fazem instituições crescerem ao invés do Reino de Deus. Não tenho tempo pra gastar com quem quer mudanças mas não quer mudar. De fato, beirando meus 36 anos de idade, estar casada, com filho pequeno, morando do outro lado do mundo e batalhando pra continuar fazendo o que Deus me chamou pra fazer coloca as coisas sob uma perspectiva nova. E este texto não é pra desabafar, é pra te encorajar a seguir em frente, correr riscos, cair e levantar de novo tantas e quantas vezes for necessário e correr a carreira que te foi proposta pelo Senhor.

Esta vida é muito louca! E na maioria das vezes não vai ter esse negócio de condições ideais. Raramente a gente vai ter tudo do jeito que a gente imaginava que devia ser pra fazer a coisa acontecer, pra dar o próximo passo. Na parábola dos talentos você vê que o que era esperado dos caras não era um resultado específico, um valor “x”, mas sim que eles tivessem feito o melhor que podiam com aquilo que lhes tinha sido dado. E isso é entre você e Deus. E cabe a cada um de nós, que somos corpo de Cristo, encorajar todo mundo a seguir em frente com toda força! Porque seguir Jesus requer coragem. E MUITA! E as circunstâncias geralmente puxam a gente pra trás. Não é moleza não… E se fosse moleza seria chato. Coisas fantásticas requerem correr riscos grandes. Mas é mais fácil, e mais divertido com certeza, quando ajudamos uns aos outros e animamos uns aos outros. Essa coisa de caminhar junto é uma parte muito especial da vida. E não fui eu quem inventou isso não. Tá na Bíblia:

“Cada um ajuda o outro e diz a seu irmão: “Seja forte! “
O artesão encoraja o ourives, e aquele que alisa com o martelo incentiva o que bate na bigorna. Ele diz acerca da soldagem: “Está boa.”"
Isaías 41:6,7

“Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer perguntava: “Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir? ” Isso também é absurdo. É um trabalho muito ingrato!
É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas.
Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!
E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho?
Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade.”
Eclesiastes 4:8-12

 ”Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!”
Salmos 133:1

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