Choveu no Meu Casamento

Out 03

Choveu no Meu Casamento

Pois é, choveu mesmo. E só parou quando a gente disse: “ok, chega de tirar fotos, acho que já temos o suficiente”. Daí parou. A caminho da área coberta onde estava acontecendo a recepção vimos as gotas geladas ficando menores até que já não havia mais nada. Olhamos um pro outro e pra fotógrafa e para o rapaz que estava ajudando na coordenação do evento e rimos.

O Senhor tinha começado a falar conosco a respeito do nosso casamento desde quando começamos a orar sobre o nosso relacionamento buscando confirmação se era de Deus e se deveríamos prosseguir. Eric estava liderando uma viagem missionaria a Ghana e eu estava dando aula na escola para filhos de missionários na base da JOCUM no Havaí quando O Senhor nos falou pela primeira vez sobre nos casarmos no dia 23 de maio. Não estávamos oficialmente juntos, estávamos orando esperando de Deus mais alguns “sim” e junto com as confirmações vinham detalhes sobre coisas que haveriam de acontecer mais cedo do que imaginávamos…

E eu não quero escrever um texto muito longo porque pra contar a historia toda terei que escrever vários textos como este e talvez transformar num livro… Pensei até no titulo! “Casando Em Jesus – a aventura de ouvir a voz de Deus e obedecer até o altar”. Mas voltemos ao dia do casamento…

Se Deus foi quem escolheu a data para realizarmos a cerimonia do nosso casamento mesmo antes de sabermos o lugar, e Ele, sendo Deus, sabe melhor do que ninguém a previsão do tempo para aquele dia e local… Quer dizer que Ele escolheu fazer meu casamento na chuva…??? Eu tinha orado por uma tarde ensolarada, especialmente porque o lugar onde casei ficava incrivelmente lindo (como a maioria dos lugares…) quando fazia sol. Aqui vai uma foto pra vocês terem uma ideia:

Não só isso, eu tinha colocado todo mundo pra orar por “bom tempo”! Mas choveu… E quando fui me dando conta de que a chuva não ia parar e que, ainda que parasse, o céu cinza seria o que eu veria no fundo das fotos, fiquei a beira de me sentir traída pelo Deus em quem eu tinha confiado e de quem havia buscado direção sobre cada detalhe com relação ao meu casamento. Mas a questão é que eu sei em quem tenho crido e depois de tudo o que tenho experimentado nessa caminhada de fé nos últimos anos, não tinha como pensar que eu tinha ouvido errado sobre a data do casamento e nem que O Senhor, o meu amado, teria escolhido algo ruim pra mim ou me abandonado num dia tão importante. Sendo assim, só me restava uma coisa: rever os meus conceitos, renovar o meu entendimento sobre o que era ou não era bom pra mim pois eu certamente estava equivocada a respeito do que eu entendia sobre condições ideais para realizar um evento como um casamento.

Como a maioria dos ocidentais, fui criada numa cultura que acredita que evento bonito tem que ter sol, a não ser que seja de noite, claro. E não pode estar muito frio nem muito calor, mas acima de tudo, NÃO PODE CHOVER! Historias de eventos com chuva sempre vem com detalhes de como as coisas deram errado e aquele desconforto de estar molhado e passando frio, chão sujo, gente presa no trânsito e todo tipo de problema. E quando você ouve que choveu no casamento de alguém você fica com pena da pessoa. Depois de tudo que eu tinha passado pra chegar até aquele momento, ali, com tudo pronto, milagre em cima de milagre, não havia a mínima possibilidade de que eu fosse deixar a chuva estragar o dia do meu casamento, e não tinha de onde tirar a ideia de que O Senhor não tinha sido bom conosco. Não tinha como dizer que Ele não tinha operado poderosamente pra que Eric e eu nos casássemos na capela da base da JOCUM em Tauranga no dia 23 de maio de 2015. Se alguém ousar dizer tal coisa, interne num hospital de doido porque a pessoa não pode estar batendo bem da cabeça. Além do mais, o pior cego é aquele que não quer ver e de cega a cada dia que passa tenho menos.

 

Refleti sobre o assunto por algum tempo e O Senhor foi trazendo mais clareza sobre o que de fato aconteceu e o que isso tudo significa. (Vale lembrar que esse tipo de resposta só vem quando a gente esta aberto pra ouvir.) Me disseram que em algumas culturas e na Bíblia chuva representa bênçãos. Ok… Mas e se a chuva acabasse com a minha maquiagem e com o meu vestido? Desculpe, mas eu precisava de mais que isso.

 

A primeira resposta consistente veio quando O Senhor me mostrou algo que mudaria  a minha forma de encarar a vida. O primeiro dia, a primeira vez, o inicio de coisas pode determinar como o resto será. Porque o meu casamento era um dia que eu me lembraria pelo resto da minha vida, ele tinha que ser uma lembrança linda e feliz, e eu não podia deixar a chuva ou o que quer que fosse mudar isso. O fato de que  num dia tão importante eu fui contra tudo o que dizia que não daria certo e decidi, em fé, que seria maravilhoso, O Senhor pegou esse meu passo de fé e o transformou num selo sobre a minha vida e a vida do Eric. Nosso lindo e chuvoso casamento foi uma lição e um marco nas nossas vidas afirmando que aconteça o que acontecer, escolhemos confiar nO Senhor e  escolhemos nos alegrar! E ISSO jamais teria ocorrido se não tivesse chovido.

Não vou negar, foi tenso… Quando chegamos na Nova Zelândia, um mês antes do casamento, não tínhamos dinheiro pra nada além dos gastos com moradia e comida daquele mês. Não tínhamos dinheiro pro casamento, não tínhamos dinheiro pra tirar o visto que eu precisaria dai 90 dias, não tínhamos dinheiro pra morar ou comer no mês seguinte. Os detalhes disso tudo um dia eu coloco num livro; é coisa pra caramba! Mas quero enumerar algumas coisas. Decidimos ficar no Havaí ajudando a manter as coisas em ordem na fazenda até a equipe voltar do Nepal e nisso confiamos que O Senhor iria nos ajudar a organizar um casamento em cerca de um mês. E tudo o que pudemos fazer antes de chegar na Nova Zelândia (o que não foi muito…), fizemos com dificuldade. Escolhemos confiar no Senhor. Quando imprimimos os convites de casamento e começamos a distribuir, ainda não tínhamos dinheiro pra as passagens pra ir pra lá. Lembro quando a Jessie, irmã do Eric, falou que ela e o marido já tinham comprado as passagens. Eric e eu rimos e dissemos: “Que legal! Se a gente não for no nosso casamento, pelo menos a Jessie e o Kyle vão! AHahahahh…”

 

Nosso casamento estava marcado para as 3 horas da tarde do sábado. Na sexta-feira `as 8 da noite ainda não tínhamos um lugar pra ir na nossa lua de mel e o quarto onde iriamos morar estava ocupado porque a senhora que cuida dos alojamentos da base da JOCUM partiu do pressuposto mais do que obvio que estaríamos em lua de mel e o quarto estaria vago. Nisso entendemos que O Senhor estava dizendo que tinha um lugar pra nós passarmos a lua de mel logo depois do casamento. Naquela noite, quando pela ultima vez procuramos na internet lugares pra ir, encontramos um que parecia legal e que não era dos mais caros ou dos mais distantes. Afinal, o dinheiro que a gente tinha na conta daria pra pagar apenas parte dos custos. Ou a gente pagava alimentação e gasolina (não indo tão longe, claro), ou pagava gasolina e o lugar pra ficar, ou o lugar e a comida, mas sem a gasolina pra chegar lá. Foi o ultimo suspiro antes de secar a ultima gota de fé que me restava. Enviamos a solicitação pra alugar a quitinete e escolhemos crer que um milagre iria acontecer no caminho e a gente não iria precisar jejuar na lua de mel. Mas o desespero maior foi quando, 1 minuto depois de clicar em “enviar” eu me dei conta de que a dona do local poderia levar 24 horas (ou mais…) pra responder. Dai eu orei: “ Senhor, em noooooome de Jesus que essa mulher responda nos próximos 15 minutos”. Um ou dois minutos depois, o celular do Eric fez um “bip”. A quitinete estava reservada pra nós. Chorei. De nervoso, de cansaço, de tudo. A gente ainda não sabia como ia fazer depois que chegasse lá, mas já tinha um lugar pra ir, o dinheiro pra pagar as diárias e a gasolina pra chegar lá. Escolhemos confiar no Senhor, com um pouco de medo sim, mas essa foi a nossa escolha, mais uma vez.  E a essa altura eu já nem estava pensando muito sobre a previsão de chuva para o dia seguinte. Na minha cabeça estava só a certeza de que eram preciso alguns milagres para somar com a pilha dos que já tinham acontecido, e quando você não tem mais opção, só sobra escolher crer mesmo. Apesar de que já vi muita gente passar a vida com raiva de Deus e de todo mundo, amarga, porque quando chegou a hora de crer no milagre e descobrir que Deus é bom, elas escolheram não crer. O que eu acho uma tremenda burrice, mas livre arbítrio taí pra isso também, né? Fazer o quê…?

 

Você pode estar pensando, como muitos pensaram, que era obvio que muita gente ia dar dinheiro de presente pra gente. O que ninguém pensou foi que a maioria das pessoas só da presente quando vai ao casamento e que presente caro você só da quando é o casamento de algum parente ou amigo bem próximo e isso SE você tiver bem financeiramente. A questão é que no meu casamento praticamente todo mundo que foi (salvo pouquíssimas exceções), era gente que eu tinha conhecido um mês antes e eram praticamente todos missionários da JOCUM. Pra quem não sabe, missionário não costuma ser o tipo que tem muito dinheiro na conta pra ficar dando pros outros. Fora que a gente precisava de tanta coisa… Que não tinha como pagar tudo com presentes de casamento ainda que todos fossem generosos. Entendeu o milagre? E foi milagre mesmo. Quando chegamos na quitinete depois do casamento e abrimos os envelopes com cartões de felicitações pela nossa união, dinheiro foi brotando e multiplicando. Não lembro quanto foi. Mas lembro que passeamos durante a lua de mel, comemos bem, voltamos, passeamos mais (com os parentes que vieram para o casamento), pagamos o aluguel do quarto onde moramos por um mês e meio (o resto dos alugueis até hoje foram outros milagres), pagamos os custos do meu visto e mais umas coisas pra nos acomodarmos melhor no nosso novo lar.

Daí você me pergunta, mas e a chuva? A chuva, juntamente com todo o resto veio pra marcar o inicio de um novo tempo na minha vida. Um tempo em que O Senhor estava me ensinando que as coisas seriam do jeito que eu escolhesse olhar pra elas. E eu escolhi que meu casamento iria ser um dia feliz independente do clima. Que o dinheiro não iria determinar minha felicidade, que  chuva e sol não determinariam minha felicidade, que  não existe nada que O Senhor não possa transformar em benção se eu escolher crer. Choveu no meu casamento. E choveu pra caramba! A fotógrafa sugeriu botas e guarda-chuvas e isso foi a última coisa que fizemos antes de ir dormir na véspera do nosso casamento. Compramos botas de borracha, um par de guarda-chuvas transparentes e nos preparamos pra nos divertir tirando fotos na chuva. Depois eu me dei conta de que O Senhor sabia que eu iria amar (como sempre) fazer algo diferente do que todo mundo faz porque eu sou chegada nesse negocio de ser exótica. Então foi isso que aconteceu, choveu no meu casamento. E foi o máximo!

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