A Teoria das Canetas

Out 17

A Teoria das Canetas

Sim! Eu vou falar! Esse povo que fica pegando caneta por aí e não devolve precisa ouvir! Isso é um abuso! Meu estojo não é porta de universidade em dia de vestibular, não, colega!!!

Foi num ímpeto de revolta e sede por justiça que um dia resolvi colocar nome em todas as minhas canetas. Comprei uma caixa de canetas Bic Cristal (aquela azulzinha básica com o corpo transparente) e coloquei um papelzinho com meu nome dentro de cada uma (afinal, etiqueta por fora é fácil de arrancar!). E fui feliz trabalhar. Alunos me pediram canetas emprestado. Colegas de trabalho me pediram canetas emprestado. Percebi que a maioria devolveu no mesmo dia (coisa rara), outras no dia seguinte (ainda mais raro!), e as demais eu mesma fui pegando de volta toda vez que via o meu nome “reluzindo” na mesa de alguém.

Lembro que tinha colocado umas cinco canetas no meu estojo quando isso tudo começou. Para minha surpresa, em menos de um mês haviam cerca de dez canetas no mesmo estojo. Foi então que percebi que eu também fazia parte dessa terrível “máfia das canetas”, esse organismo vivo que recicla objetos escreventes em toda sociedade letrada. Eu também pegava canetas alheias e não devolvia e, assim como os demais, era culpada deste terrível crime… Havia sangue nas minhas mãos! Ou melhor, tinta! (Rs) Algo precisava mudar…

Então decidi fazer um teste. Retirei meu nome de dentro dos tubinhos das canetas e simplesmente passei a empresta-las deliberadamente e pegar canetas por aí na mesma proporção. Ao final de duas semanas eu tinha aproximadamente o mesmo número de canetas com que tinha iniciado meu experimento. Concluí que é dando que se recebe e que a maioria das pessoas contribui para a boa convivência dos seres alfabetizados numa sociedade equilibrada. Mas não parou por aí…

Na semana seguinte descobri um ser maligno que tinha sobre a sua mesa muitíssimas canetas de cores e desings variados. E mais! Percebi que várias destas canetas estavam, não só com as tampas trocadas, mas algumas delas nem tampa tinham mais. Fiquei tão indignada com o desleixo e descompromisso do indivíduo que discuti com ele o absurdo estampado sobre sua mesa de trabalho. Ele deu risada, tentou se justificar. Mas naquela cara lavada eu vi, com estes olhos que a terra há de comer…QUE ELE NÃO SE IMPORTAVA!!!

COMO??? COMO??? Como é possível alguém se aproveitar de seus colegas dessa maneira? Como alguém pode ser tão egoísta ao ponto de sugar de seus companheiros suas ferramentas sem contribuir de forma alguma? E MAIS! Como pode ser capaz de depredar os meios pelo qual registramos nossas ideias e informações importantes durante a jornada de trabalho? Era demais pra mim… Dei-lhe um sermão! E depois de devolver as tampas às canetas devidas, reparti-as entre os demais igualmente. E eis que o equilíbrio voltava a reinar naquela instituição de ensino. Me senti mais leve…

Obviamente e como de costume, muitas lições foram tiradas dessa experiênia quase que traumática e foi daí que elaborei a teoria das canetas. A ógica é mais ou menos a seguinte: na vida, todos nós nos alimentamos do que as pessoas ao nosso redor têm para oferecer; e não há nada de mal nisso, desde que tenhamos algo a oferecer também e que estejamos dispostos a compartilhar. Assim como as canetas, alguns de nós tem mais, outros menos, algumas em melhor estado do que outras; mas tudo meio que volta ao seu lugar quando todos se envolvem positivamente no processo de troca. Quem não se encaixa na teoria das canetas nada mais é que uma erva daninha que vai crescendo sorrateiramente e sugando do meio aquilo que deseja sem contribuir com coisa alguma.

MORAL DA HISTÓRIA: Empreste, pegue emprestado e devolva sempre que lembrar! Caneta é coisa séria!!!

 

P.S.: Isso também vale para tuppewares. Aos amigos e familiares que ainda não o fizeram, favor retornar meus pertences com urgência! (rs)

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